quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Eles se vêem, mas...

Os espíritos se vêem, mas será que esta é uma regra absoluta? De acordo com a primeira edição não há restrições que impeçam a visão de um espírito por outro. E na segunda? Vejam que interessante o mapeamento abaixo.

Primeira edição
50. Podem os espíritos se ocultar uns de outros?
"Não, podem se distanciar um pouco; mas se vêem sempre."
A faculdade visual é pois, nos espíritos, sem delimitação; daí resulta que eles não podem ficar ocultos uns dos outros. Podem distanciar-se, mas sempre se vendo, e nenhum esconderijo os pode subtrair à vista.

51. Podem os espíritos dissimularem seus pensamentos reciprocamente?
"Não, para eles tudo está a descoberto, sobretudo aos que são perfeitos."
Da faculdade visual e penetração ilimitadas dos espíritos decorre o conhecimento recíproco dos pensamentos. Nada entre eles poderia dissimular-se, sobretudo quando perfeitos.

Segunda edição
283. Podem os Espíritos, reciprocamente, dissimularem seus pensamentos? Podem se ocultar uns dos outros?
"Não, para eles tudo está a descoberto, sobretudo aos que são perfeitos. Podem se distanciar mas se vêem sempre. Isto, entretanto, não é uma regra absoluta, pois certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis para outros Espíritos, se julgam útil fazê-lo.

Duas observações... a primeira é a de que Kardec remove a expressão "um pouco" (em vermelho) na resposta ao afirmar que os espíritos podem se distanciarem uns dos outros. Ou seja, na segunda edição compreende-se que eles de fato se distanciam e não somente "um pouco".

A segunda observação está na adição de um "mas" na resposta da segunda edição. Explicitamente, Kardec relativiza a resposta dos espíritos afirmando que a visão mútua entre os espíritos "não é uma regra absoluta". Ou seja, os espíritos podem "tornar-se invisíveis para outros".

E por que será que Kardec teve que revisar estes ensinamentos? Bem... novos diálogos acrescentados na segunda edição podem nos dar uma pista. Por exemplo, observem os dois abaixo:

279. Todos os Espíritos têm, reciprocamente, acesso uns entre os outros?
"Os bons vão por toda a parte, e é preciso que seja assim para que possam exercer sua influência sobre os maus. Mas as regiões habitadas pelos bons estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que estes não as perturbem com suas más paixões."

290. Os parentes e os amigos reúnem-se sempre depois da morte?
"Isso depende da sua elevação e do caminho que seguem para seu progresso. Se um deles está mais avançado e caminha mais depressa que outro, não poderão ficar juntos: poderão ver-se algumas vezes, mas não estarão reunidos para sempre, senão quando puderem marchar lado a lado ou quando tiverem alcançado a igualdade na perfeição. Assim, a privação de ver seus parentes e seus amigos é, algumas vezes, uma punição."

Vejam que a gradualidade na capacidade de visão dos espíritos se torna necessária para a compreensão das novas observações levantados por Kardec a partir dos novos diálogos com os espíritos. Isto é, se existem "regiões interditadas a espíritos" e existe uma espécie de privação de visão para aqueles que não estão no mesmo grau evolutivo então a rigor nem sempre os espíritos podem se entrever.

Aliás, tomando este diálogo 279, uma argumentação semelhante pode ser elaborada para relativizar a informação de que os espíritos podem estar por toda a parte, até mesmo nas entranhas da Terra.

4 comentários:

Leopoldo Daré disse...

Vital

Podemos acrescentar nesta discussão dois pontos de informação: Kardec compara o mundo espiritual a uma cidade na segunda edição. Ao mesmo tempo, no livro "Instruções Práticas sobre as Manifestações Espiritas", em vocabulário espírita, na palavra Reencarnação, Kardec cita a descrição feita por Espíritos de que viveriam em esferas concêntricas ao redor da Terra. Parece que Kardec não considerou verdadeira a hipótese da "esferas concentricas" do mundo dos espíritos, não fazendo citações desta na segunda edição de O Livro dos Espiritos.

Vital Cruvinel disse...

Legal estas suas observações, Leo... não sabia que existia esta informação sobre as "esferas concêntricas". Aliás, preciso ler este livro "Instruções Práticas".

Abraço!

MARIUS ROBERTO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MARIUS ROBERTO disse...

"(...) Os Espíritos imperfeitos, que ainda se acham sob a influência da matéria, nem sempre
têm sobre a reencarnação idéias completas: a maneira por que a explicam se ressente de
sua ignorância e dos preconceitos terrenos, mais ou menos como seria o caso de um
camponês a quem se perguntasse se é a Terra ou o Sol que gira. Têm de suas existências
anteriores apenas uma lembrança confusa e o futuro lhes é uma coisa vaga. (Sabe -se
que a lembrança do passado se elucida à medida que o Espírito se depura). Alguns
falam ainda das esferas concêntricas que envolvem a Terra e nas quais o Espírito se eleva
gradualmente até atingir o sétimo céu, que é para eles o apogeu da perfeição." (...) Esta crença é a do MODERNO ESPIRITUALISMO Anglo-saxão e Norte Americano. Nas comunicações esses Espíritos não se referiam a reencarnação, como no Espiritismo na França. Uma diferença entre a escola francesa e a dita escola Americana. Kardec defendeu a reencarnação ou Pluralidade das Existências.