sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vocabulário Espírita - Parte 2

Uma das características principais de Kardec era o cuidado com as palavras. Ele sabia da sua importância para a coerência e consistência doutrinária. E, a partir daí, para a admiração e convencimento daqueles que presam por uma boa dose de racionalidade.

Um vocabulário espírita, portanto, parecia ser a melhor forma de começar a construção das bases doutrinárias. Em 1858, no "Instruções Práticas", Kardec escreve sobre o problema das ambiguidades dos vocábulos.

As manifestações espíritas são origem de uma multidão de idéias novas que não puderam encontrar representação na linguagem usual; elas têm sido expressas por analogia, como acontece no início de toda a ciência. Daí a ambiguidade dos vocábulos, origem de intermináveis discussões. Com palavras claramente definidas e um vocábulo para cada coisa, torna-se mais fácil a mútua compreensão; se se discute, é, então, a respeito do fundo, não mais a respeito de forma.

Para atingir este objetivo de "pôr ordem nas ideias" é que Kardec se dispôs a ...

... inventariar todas as palavras que se referem, direta ou indiretamente, à doutrina espírita, oferecendo, a respeito delas, explicações sucintas, porém suficientes para fixar as idéias.

Kardec ainda reforça a importância de um vocabulário para qualquer ciência, pois era assim que ele via o espiritismo.

A ciência espírita deve ter seu vocabulário como todas as outras ciências. Para compreender uma ciência é preciso, em primeiro lugar, compreender-lhe a terminologia; eis a primeira coisa que recomendamos àqueles que desejam realizar um estudo sério do Espiritismo.

Em 1861 Kardec mantém integralmente estes textos na primeira edição do Livro dos Médiuns. Mas, em 1862, na segunda edição, parece ter mudado de ideia. Além de descartar os textos, apresenta os motivos que o levaram a "enxugar" o seu vocabulário espírita.

Como lhe acrescentamos muitas coisas e muitos capítulos inteiros, suprimimos alguns artigos, que ficariam em duplicata, entre outros o que tratava da Escala espírita, que já se encontra em O Livro dos Espíritos. Suprimimos igualmente do “Vocabulário” o que não se ajustava bem no quadro desta obra, substituindo vantajosamente o que foi supresso por coisas mais práticas. Esse vocabulário, além do mais, não estava completo e tencionamos publicá-lo mais tarde, em separado, sob o formato de um pequeno dicionário de filosofia espírita. Conservamos nesta edição apenas as palavras novas ou especiais, pertinentes aos assuntos de que nos ocupamos.

É curioso observar que um ano antes Kardec dizia que tinha inventariado todas as palavras relacionadas, direta ou indiretamente, ao espiritismo. O que será que estava faltando, então? E a que palavras "novas ou especiais" Kardec se refere?

3 comentários:

Paulofyve disse...

Em 4 anos ainda não chegaram a lugar nenhum neste blog, a doutrina continua a mesma e as casa espíritas continuam a trabalhar da mesma forma. o livro então quem sabe daqui mais uns quatro anos, quanta perda de tempo.

Anônimo disse...

Caro Vital Cruvinel, dê continuidade a este maravilhoso trabalho. Deus age silenciosamente no coração dos homens. Uma semente germinada, uma vida agradecida. Jesus te abençoe!

Rodrigo Melo disse...

Nobre Vital e Leopoldo. Conheci este trabalho apenas agora em 2017, estou devorando os posts e lendo-os desde o início em 2008. Retornem a este trabalho, estou disposto a ajudar e contribuir de alguma forma. Essa pesquisa de vocês é incrível. Desejo-lhes Paz