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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vocabulário Espírita - Parte 2

Uma das características principais de Kardec era o cuidado com as palavras. Ele sabia da sua importância para a coerência e consistência doutrinária. E, a partir daí, para a admiração e convencimento daqueles que presam por uma boa dose de racionalidade.

Um vocabulário espírita, portanto, parecia ser a melhor forma de começar a construção das bases doutrinárias. Em 1858, no "Instruções Práticas", Kardec escreve sobre o problema das ambiguidades dos vocábulos.

As manifestações espíritas são origem de uma multidão de idéias novas que não puderam encontrar representação na linguagem usual; elas têm sido expressas por analogia, como acontece no início de toda a ciência. Daí a ambiguidade dos vocábulos, origem de intermináveis discussões. Com palavras claramente definidas e um vocábulo para cada coisa, torna-se mais fácil a mútua compreensão; se se discute, é, então, a respeito do fundo, não mais a respeito de forma.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Vocabulário Espírita - Parte 1

Em 1858, um ano após a fundação do espiritismo, Kardec publica a obra Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (Instruction pratique sur les Manifestations Spirites). Esta obra incluía um vocabulário espírita contendo 157 verbetes.

Já em 1861 Kardec publica a primeira edição do Livros dos Médiuns (Le Livre des Médiums) no qual declara ser a substituição do Instruções Práticas. Nesta edição Kardec republica o mesmo vocabulário espírita com algumas adições. Nesta nova versão apareciam 189 verbetes.

Um ano depois, em 1862, Kardec decide enxugar o vocabulário espírita na segunda edição do Livro dos Médiuns. Nesta nova edição, que passou a ser definitiva, apareciam apenas 25 verbetes.

Há muito a ser comentado sobre esta evolução do vocabulário e pretendo fazê-lo em futuros posts. Por ora relaciono abaixo as listas de verbetes que aparecem no Instruções Práticas e na primeira edição do Livros dos Médiuns. Os verbetes iniciados por (*) são sub-verbetes, isto é, verbetes dentro de um verbete.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A edição perdida (parte 3)

Na primeira e segunda partes deste post apresentamos uma tradução do sumário do que seria a edição perdida do Livro dos Espíritos e comparamos este sumário com o da sua segunda edição. Nesta terceira parte iremos analisar esta comparação.

A análise mais evidente é a decisão editorial de retirar parte do conteúdo da obra, o livro quinto "Manifestação dos Espíritos", para formar futuramente a base do Livro dos Médiuns (que neste mês de janeiro de 2011 completa 150 anos). A nosso ver foi uma decisão correta já que o Livro dos Médiuns é tão volumoso quanto o Livro dos Espíritos e se caracteriza de forma distinta e complementar pelo lado mais prático (ou experimental) do Espiritismo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A edição perdida (parte 2)

Na primeira parte deste post apresentamos uma tradução do sumário do que seria a edição perdida do Livro dos Espíritos. Agora iremos comparar este sumário com o da segunda edição do Livro. Como já observamos anteriormente a principal diferença entre os dois está na quinta parte "Manifestação dos Espíritos". Esta parte é o desenvolvimento do capítulo X da primeira edição do Livro e que mais tarde viria a se tornar o esboço do Livro dos Médiuns.

sábado, 20 de novembro de 2010

A edição perdida (parte 1)

Até a desencarnação de Allan Kardec o Livro dos Espíritos já estava na sua décima sexta edição. Mas, entre a primeira (abril de 1857) e a segunda edição (março de 1860) houve, no mínimo, a intenção de publicar uma outra edição. Isto decorre do fato de Kardec publicar nas páginas finais da primeira edição do O Que é o Espíritismo (julho de 1859) um sumário dos capítulos do Livro dos Espíritos, que difere tanto da primeira quanto da segunda edição.

O amigo e pesquisador Eugenio Lara, editor do sítio PENSE, fez uma boa análise da importância desta edição que supostamente não houve e que chamamos de edição perdida. Ela teria sido publicada pela editora Dentu, a mesma da primeira edição, conforme comentário sobre o sumário citado:

Todas as obras do senhor Allan Kardec se encontram em Paris, na Editora Dentu, Palais-Royal; na [livraria] Ledoyen, Palais-Royal; e no escritório do jornal, Rue des Martyrs, 8.

sábado, 10 de outubro de 2009

A cepa decepada

Nos princípios básicos ou prolegômenos do Livro dos Espíritos há uma interessante e bonita imagem de uma cepa de vinha que representa, segundo os espíritos que auxiliaram Kardec, a dualidade corpo e espírito.

Coloca na cabeça do livro a cepa de vinha que te desenhamos, porque ela é o emblema do trabalho do Criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nela se encontram reunidos: o corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou o espírito unido à matéria é o grão. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos.

Kardec não seguiu a risca a orientação dos espíritos, pois reproduziu o desenho no interior e não na cabeça do livro. É claro que isso é apenas um detalhe. Aliás, é exatamente por estes detalhes que se conclui que Kardec se preocupava mais com o conteúdo do que com a forma.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tudo se encadeia mais ainda

A questão da alma dos animais é daquelas que mais nos intrigam e nos fascinam. Saber se a alma do ser humano tem um ponto de contato com a alma de outros seres é algo aparentemente básico mas ao mesmo tempo muito profundo. Por isso, a prudência na exposição do tema é sempre bem vinda.

Ficamos muito felizes em receber do respeitado professor Silvio Chibeni uma nova e importante informação sobre os acréscimos e modificações na décima terceira edição do Livro dos Espíritos. No seu artigo original Chibeni reproduz a nota explicativa desta décima terceira edição (publicada em 1865) e um dos pontos desta nota se refere a algum acréscimo nos comentários finais após o diálogo 613.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Livro em Revista

A Revista Espírita é considerada o laboratório de Kardec para o desenvolvimento do conhecimento espírita. Além disso, podemos considerá-la como um meio eficiente de propagação das idéias espíritas vinculadas às obras básicas e complementares do Espiritismo.

Kardec soube aproveitar bem as edições mensais da Revista para este fim. E, assim, podemos encontrar várias citações sobre o Livro dos Espíritos desde simples referências até o anúncio de novas edições e novos livros.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A fina ironia

Praticamente, todo o nosso trabalho tem sido feito em cima da comparação entre as duas primeiras edições do Livro dos Espíritos. A primeira apareceu em abril de 1857 e a segunda, em março de 1860. Depois desta ainda tivemos outras 9 edições publicadas por Kardec sendo que a última delas (a décima terceira) foi publicada em 1865.

O sucesso da segunda edição foi seguida rapidamente por duas novas edições possivelmente sem modificações.